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Sexta-Feira, 18 de Agosto de 2017, 08h:51

CRITICA

Batman e Robin têm o crime como norma

Reinaldo Azevedo

Reprodução

Reinaldo Azevedo e procuradores

O jornalista Reinaldo Azevedo, em artigo na Folha, compara nesta sexta (18) os procuradores Deltan Dallagnol e Carlos Fernando à dupla Batman e Robin que “viciaram no papel de heróis das trevas”.

Leia a íntegra do artigo de Reinaldo Azevedo:

Batman e Robin não querem reforma política porque viciaram no papel de heróis das trevas

Resta uma boa notícia na reforma política. Até esta sexta ao menos. Parece que se aprova o voto distrital misto para 2022. Abre-se uma vereda da terra dos mortos morais para o parlamentarismo. No mais, tem-se a luta tenaz por uma terra devastada. Por que é assim? O Legislativo se acovardou. Deixou-se sequestrar pela ala aloprada do Ministério Público Federal.

A reforma está sendo pensada e votada quando a reputação dos políticos vive o seu pior momento. Estão assustados. A prudência tem na coragem a sua melhor conselheira. Imprudentes de verdade são os covardes, capazes de assistir, inermes, à marcha para o abismo, com medo de seus sequestradores virtuais.

O veto à doação de empresas a campanhas, decidido pelo STF em 2015, é uma aberração que começou a ser gestada pelo PT na reforma ensaiada em 2011. O partido imaginava patranhas para se eternizar no poder. Fato: impedir que pessoas jurídicas doassem a candidatos implicava a asfixia econômica dos adversários, uma vez que os petistas já haviam engendrado o sistema que lhes garantiria caixa eterno.

A coisa não prosperou por motivos que não cabem neste artigo. Se o Congresso resistiu aos companheiros, chame-se o Exército Vermelho do STFL (Supremo Tribunal Federal Legislador). Com votação iniciada em 2013 e concluída em 2015, a Corte declarou inconstitucional, por 8 a 3, a doação de empresas. Não há uma miserável letra na Carta que sugira tal coisa. O MPF e seus menores intelectuais infratores, já sob o comando de Rodrigo Janot, o flecheiro ninja-tupinambá, defenderam a proibição.

Corajoso, agora, seria aprovar uma emenda restituindo a doação de pessoas jurídicas. Não acontecerá tão cedo por falta de corajosos. Saída? O fundo público. Sem ele e sem as doações de empresas, as eleições ficariam expostas a quem lida com dinheiro vivo: o crime organizado e certas seitas cuja teologia é bem mais nova do que o uísque que eu bebo. Deus, observo, pode até revelar uma nesga da Graça num bom “single malt”, mas foge de ambientes em que demônios mostram especial predileção pelo bolso de pobres e desvalidos.

Dado o apocalipse brega, quem não poderia faltar com seu juízo final? Deltan Dallagnol e Carlos Fernando, os jecas do moralismo de lesa pátria: gravaram um vídeo em que tratam o Congresso como valhacouto de ladrões. Os políticos estariam “enfiando a mão no seu bolso” para jogar no “saco sem fundos” dos partidos, impedindo a renovação.

Batman e Robin não querem nem doação de empresas nem fundo público. Instituições pra quê? Deixem que eles cuidam de Gotham City. Sem o crime como norma, não se erigem heróis das trevas. Nota à margem: segundo dados oficiais, bem longe da verdade, as eleições de 2014 custaram R$ 5,1 bilhões. Multipliquem por três. Os eventuais R$ 3,6 bilhões do tal fundo são amplamente insuficientes. Mas, sem eles, só o crime nos contempla.

Eis o estado da política no “momento sem igual” de combate à corrupção, como quer a turma da Lava Jato. Produz-se hoje o maior número de criminosos impunes de que se tem notícia na história, como atestam Sérgio Machado e Joesley, um dos jotas da holding “J&J”.

A “Liga da Justiça” leva a eleição de 2018 à beira do abismo do crime organizado, induz a população à desesperança e ao cinismo e nos faz reféns de bandidos que o outro “J”, o Janot, elegeu como protagonistas da história. Ou não vimos Lúcio Funaro a dizer aos jornalistas que “ainda tem” o “que entregar” sobre Michel Temer, mas que “há uma diferença muito grande” entre o que a PGR lhe ofereceu e o que ele quer?

Passamos a achar normal que um assumido canalha ameace o presidente à luz do dia e imponha um preço ao procurador-geral para fazer o serviço completo. Funaro virou o “bandido de programa” de Janot.

Ou os senhores congressistas honram a sua diplomação e enfrentam essa cáfila de aloprados, ou vamos para a breca. Experimentem a coragem, senhores e senhoras parlamentares! É coisa boa. Só perde para o “single malt”.

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