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Sexta-Feira, 14 de Setembro de 2018, 07h:56

ELEIÇÕES 2018

A infame pulação de galho em galho

Cícero Henrique

Reprodução

Pulando de galho em galho

As alianças na política nativa se aproximaram, nos últimos dias, de obsceno troca-troca de parceiros. Vamos lá. Uma revoada de tucanos em direção ao albergue de Mauro Mendes(DEM) e Wellington Fagundes(PR) escandalizou aqueles que pensaram que eles cumpririam o acordo que fizeram com Pedro Taques.

Gente do pequeno porte jurou fidelidade ao candidato do PSDB à reeleição. A começar por Democratas, que abiscoitou a vaga do Senado na composição e está livrando com Mauro Mendes onde lhe parece mais conveniente e isso parece ser o Estado inteiro. Os candidatos a deputado federal, ou a estadual, não escondem a sua vocação para a traição.

Ou seja, os acordos de dois meses atrás já não valem. Aliados das eleições anteriores agora estão em trincheiras opostas e os adversários se juntam no mesmo barco. Esses conchavos de cúpula mostram que, para estar no poder, nossos políticos fazem qualquer acerto. E o período é propício. Os mato-grossenses andam distraídos, irritados exatamente com essa promiscuidade que facilita a corrupção.

Por trás do jogo de dissimulações prevalece o vale-tudo. O poder merece tamanha desfaçatez e pouca vergonha porque proporciona tudo aquilo que um homem pós-moderno que habita a periferia do capitalismo quer. Ele briga pela oportunidade de fazer qualquer negócio. E o poder, senhores, é uma maravilha. Dá-se emprego aos de casa e aos do auditório, socorrem-se os apaniguados com o caixa do Poder Público, por aí vai.

Assim se desenrola a vida de um “estadista” tupiniquim. Vida boa. Marcada apenas pela preocupação de ficar no trono pelo maior prazo possível. Na política nativa, esse espírito macunaímico é uma praga pior que a maria-sem-vergonha. Chamam a isso de bom senso. E lá vêm os mestres do pragmatismo a recomendar os entendimentos mais incríveis entre políticos que pareciam, ainda ontem, antípodas, inimigos irreconciliáveis pelas divergências ideológicas e de métodos.

Na geleia macunaímica, vinga o populismo, o poder é mafioso e a mídia é o seu instrumento. (Sem contar que Macunaíma não tem ideologia, está em todo canto.) As mazelas da política são antigas, mas nunca, antes, foram expostas com tanta naturalidade.

A panela da política mato-grossense continua fervendo no fogo da sucessão. É fogo brando, bastante, porém, para que extravase. Há um aspecto positivo em que o conteúdo se derrame. Assim, a sociedade nativa conhece os seus líderes, ganha consciência dos problemas que a afligem e pode avaliar o alcance de suas expectativas. Sem dizer das revelações de corrupção que deixam o cidadão de cabelo em pé.

Maquiavel conta os estragos da tísica, doença mortal naqueles tempos renascentistas, que os médicos costumavam enfrentar quando já era tarde demais. Ao que tudo indica, o Mato Grosso padece de tísica, mas não tem maiores chances que os doentes contemporâneos. Decerto, por aqui, não há gente disposta a confiar em nossos políticos e a enfrentar a desfaçatez da rapaziada no braço.

E por que haveria?

É um verdadeiro caos

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